MEMORIAL DA ANISTIA POLÍTICA TERÁ SEDE EM
BELO HORIZONTE
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COMISSÃO DE ANISTIA 27/04/09 Brasília, 27/04/09 (MJ) - Os arquivos que revelam a
história da ditadura brasileira, sob o ponto de vista dos que sofreram
perseguições, serão abertos à população. Os 64 mil processos recebidos pela
Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, alguns com documentos inéditos,
vão compor o acervo do Memorial da Anistia Política, cuja sede já tem
endereço certo. Será A definição da sede será oficializada nesta
terça-feira (28), no auditório Tancredo Neves, no Ministério da Justiça. Na
ocasião, o ministro Tarso Genro receberá o termo de entrega do prédio,
assinado pela Secretaria de Patrimônio da União, e criará o comitê de implementação do memorial. O grupo terá participação de
representantes do ministério, da sociedade civil, do Governo de Minas Gerais
e da Prefeitura de Belo Horizonte. Posteriormente, será assinado ainda um termo de
parceria com a UFMG para a realização das obras, que serão custeadas pelo
Ministério da Justiça e têm orçamento previsto de R$ 4,5 milhões. O trabalho
será feito em duas etapas. A primeira será a reforma do prédio da antiga
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich),
onde pichações contra a ditadura ainda podem ser vistas nas paredes. É lá que
será inaugurado, em dezembro deste ano, o espaço de exposições. A segunda etapa será a construção de um prédio
anexo, onde funcionará o centro de documentação e pesquisa, previsto para ser
aberto em julho do próximo ano. A Prefeitura de Belo Horizonte, que também
firmará parceria com o ministério, construirá uma praça histórica para
integrar a área. “O Memorial é um grande passo não apenas para
a divulgação dos documentos da repressão, mas também para a afirmação social
da memória da democracia no Brasil”, afirma o presidente da Comissão de
Anistia, Paulo Abrão. Ele explica que o objetivo não é apenas criar um museu,
mas também um centro nacional de pesquisas. “Será um local para dar voz
a uma história sufocada que precisa ser plenamente exposta à luz, para que
tenhamos uma verdadeira reconciliação nacional”. Participarão da cerimônia, nesta terça, o
vice-presidente da República, José Alencar, os ministros Tarso Genro
(Justiça), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e
Combate à Fome) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral
da Presidência), o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e o reitor da
UFMG, Ronaldo Pena. Campanha de doação Desde a sua criação, em Além dos processos protocolados na Comissão, o
acervo do Memorial vai incluir os arquivos que estão sendo coletados, desde
maio de 2008, em campanha de doação de documentos. Os interessados em
contribuir com fotos, áudio, vídeo, testemunhos ou qualquer outro registro do
período da ditadura podem entrar em contato por e-mail (memorial.anistia@mj.gov.br)
ou pelo telefone (61) 3429-9402. Toda a documentação do Memorial também fará parte do
projeto Memórias Reveladas, iniciativa do Arquivo Nacional
que cria centro de referência sobre a memória da ditadura no Brasil. Também serão expostos os arquivos doados ao
Ministério da Justiça pelos estados e por outros países, como Portugal e
Espanha. Neste mês, o ministro Tarso Genro assinou termos de cooperação
internacional com instituições dos dois países. O acordo vai permitir a
doação de documentos que contenham informações do golpe militar brasileiro
– todos os materiais recebidos farão parte do Memorial e serão abertos
para consulta. Só
o Centro de Documentação 25 de Abril, em Coimbra, possui mais de três milhões
de documentos, muitos dos quais com referências ao Brasil. |