|
BRASIL É ACUSADO NA OEA DE PROTEGER TORTURADORES |
|
O GLOBO 27/10/08 Evandro
Éboli Autor
de ações contra militares que atuaram na ditadura militar, o procurador da
República Marlon Weichert, de São Paulo, acusou
nesta segunda-feira o governo brasileiro, em audiência na Organização dos
Estados Americanos (OEA), em Washington, de proteger oficiais que
perseguiram, torturaram e desapareceram com militantes de esquerda naquela
época, como os coronéis da reserva Carlos Brilhante Ustra
e Audir dos Santos Maciel.
Marlon afirmou que, com esse comportamento, o governo estimula a violência de
hoje de policiais nas penitenciárias do país. -
A cúpula do governo entende que há prescrição e esquecimento desses crimes.
Nem abertura de arquivo foi promovida. A impunidade e a ocultação da verdade
impactam, inspiram e dão confiança aos agentes públicos que hoje adotam a
tortura e o extermínio nas polícias e no sistema carcerário - disse Weichert. A
Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA convocou o governo
brasileiro a prestar esclarecimentos sobre a interpretação de que a Lei de
Anistia, de 1979, impede o julgamento de militares que torturaram durante a
ditadura. Representantes da Comissão de Anistia, da Secretaria de Direitos
Humanos e do Itamaraty defenderam o governo. Weichert
auxiliou a organização não-governamental Center for Justice and International Law (Cejil), autora da petição contra o Brasil, na acusação.
Ele criticou a Advocacia Geral da União (AGU), que defende dois coronéis da
ditadura, ex-dirigentes do Doi-Codi,
que estão sendo processados. -
É obrigação da AGU defender a União - disse a representante do Itamaraty na
OEA, Márcia Adorno sobre a defesa dos coronéis. A
OEA ainda não decidiu se o governo brasileiro deve ou não ser
responsabilizado. O presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrão, disse que
o país vive a expectativa de o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronunciar
sobre se a Lei de Anistia permite ou não o julgamento dos militares que
cometerem crimes na ditadura. |