JOBIM DIZ QUE ANISTIA FOI UM PASSO IMPORTANTE,
MAS QUE CABE AO JUDICIÁRIO POSSÍVEL REVISÃO.
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FOLHA ONLINE 28/08/2009 CHRISTIAN
BAINES O ministro Nelson Jobim (Defesa) recusou-se a comentar o recente
debate sobre a releitura da Lei da Anistia e se limitou a dizer que a
legislação foi um passo muito importante na transição democrática nos anos
80. Jobim afirmou não querer comentar a questão pelo fato de o
processo estar sob análise do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo ele,
essa decisão cabe ao Judiciário. Em outras ocasiões, porém, o ministro
mostrou-se contrário à revisão da lei, classificando a ideia
de "revanchista". Desde outubro do ano passado, quando a OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil) protocolou uma ação no STF questionando a anistia dos militares,
há uma discussão em torno de uma possível mudança na aplicação da lei. A proposta de vetar o direito aos torturadores questiona o
artigo 1º da legislação, que considera atos de qualquer natureza como sendo
crimes políticos. Assinado em 1979 pelo então presidente
João Figueiredo, o texto diz: "É concedida anistia a todos quantos, no
período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979,
cometeram crimes políticos ou conexo com estes. (...) Consideram-se conexos,
para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com
crimes políticos ou praticados por motivação política". Importância histórica Segundo o ministro, a anistia aos agentes públicos foi
importante para a viabilidade da transição do regime militar ao regime
democrático. "A Lei da Anistia de 1979 foi a
forma encontrada naquele momento político para fazer a transição --que é uma
característica do Brasil-- do regime militar para o regime civil",
afirmou. Jobim diz também que a lei permitiu que o regime militar fosse
superado sem que houvesse uma retaliação ao passado. "A Lei da Anistia
fez, inclusive, com que nós pudéssemos chegar à Constituição de 1988, porque
houve um compromisso com o futuro, sem retaliação com o passado." Araguaia Além da ação protocolada pela OAB, a decisão da juíza federal
Solange Salgado, que determina que o governo localize e entregue aos
familiares os restos mortais dos guerrilheiros do Araguaia desaparecidos,
também trouxe à tona o debate da legislação. Todos os recursos da União contra a decisão judicial de 2003
fracassaram. Então, para cumprir a ordem, o Ministério da Defesa montou a
comissão de buscas. Encabeçada pelo ministro Jobim, é formada por 33 membros
civis e militares e conta com o apoio logístico da 23ª Brigada de Infantaria
de Selva. Os guerrilheiros do Araguaia se concentraram na região do Bico
do Papagaio --sudeste do Pará, sul do Maranhão e norte de Goiás, hoje
Tocantins-- na primeira metade dos anos 70. O grupo chegou na
região na década anterior, mas começou a sofrer repressão das Forças Armadas
em 1972 e foi extinto em 1975. |