VANNUCHI CRITICA POSIÇÃO DE MENDES E JOBIM
SOBRE A ANISTIA
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CRUZEIRO ONLINE
30/06/2009 O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Defesa dos Direitos
Humanos, criticou nesta 2ª feira (29), Ele também voltou a
criticar o titular da pasta da Defesa, Nelson Jobim, por sua decisão de criar
um grupo de busca aos mortos e desaparecidos no episódio da Guerrilha do
Araguaia, nos anos 70. Segundo Vannuchi, seu colega
na equipe de governo atropelou a legislação ao deixar fora do grupo a comissão especial criada na década passada para conduzir
atividades desse tipo. "Existe uma lei
federal sobre o assunto", disse Vannuchi.
"Essa lei, que foi criada, por coincidência, quando Jobim era ministro
da Justiça, não pode ser subvertida agora por uma portaria ministerial,
assinada pelo próprio Jobim." As declarações do ministro foram feitas
durante o seminário sobre o papel da Justiça no processo de acerto de contas
do Estado brasileiro com as vítimas do regime militar, "Quando ele disse que
esses fatos devem ser esquecidos, fiquei em dúvida", disse. "Já não
sei se o chamo de jurista, advogado ou coronel Nelson Jobim, porque ele
repetiu o que os coronéis dizem. É vergonhoso ouvir isso de alguém da área
jurídica. Acho que ele deveria refazer seu curso de direito." Para
Dallari, os parentes das vítimas buscam justiça, não retaliações. "O
Brasil viveu um período histórico vergonhoso, com agressões à dignidade da
pessoa humana. É extremamente importante que não se esqueça isso." O Poder Judiciário foi
duramente criticado durante o encontro. Na opinião do ministro Vannuchi, as autoridades da área ainda não parecem
convencidas da justeza das reivindicações dos familiares de mortos e
desaparecidos. "O Judiciário empurra a questão", disse. Esse
comportamento, segundo o ministro, ajuda a explicar o fato de poucos parentes
das vítimas terem recorrido ao Judiciário em busca de reparações e punições.
É uma situação diferente da que se verificou em outro
países da América Latina também submetidos a períodos de ditadura
militar, como o Chile e a Argentina. Lá, acredita Vannuchi,
os cidadãos confiam mais no Judiciário do que no Brasil. A cientista política Glenda
Mezarobba, pesquisadora do Instituto de Filosofia e
Ciências Humanas da Unicamp e uma das organizadoras do seminário, também criticou o Judiciário. As autoridades dessa área, segundo
a estudiosa, tendem a acompanhar até hoje as interpretações dadas à Lei de
Anistia no fim do regime militar. Para ela, limitam-se
a repetir o que chamou de "mantra da
impunidade", que inclui as palavras revanchismo e a afirmação de que a
anistia atingiu todos os envolvidos, incluindo torturadores.(AE). |