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A VOZ DA CIDADE 30/10/08
Metalúrgicos do município estão em Brasília para acompanhar trabalho da
Comissão de Anistia
No início da tarde de ontem, um ônibus do Sindicato
dos Metalúrgicos do Sul Fluminense seguiu para Brasília levando 25 dos 42
metalúrgicos que estão com processos na Comissão de Anistia. Os ex-funcionários
da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) que foram demitidos entre o final da
década de 80 e o início de 1990 foram à capital federal acompanhar o
julgamento dos recursos.
Antes de partir para Brasília, os perseguidos políticos se reuniram na sede
do Sindicato dos Metalúrgicos, no Centro, e falaram de suas expectativas.
Eles acreditam em uma decisão positiva e que a luta será constante. O diretor
jurídico da Associação Nacional de Anistiados Políticos (Anap),
Nilson Carneiro Sales, é um dos perseguidos. Ele explicou que a decisão
positiva da Comissão da Anistia será uma vitória daqueles que ajudaram a
fazer a história do país em uma época onde as
pessoas não podiam se manifestar. “Foi uma luta que tem que ser
reconhecida. Não estamos falando apenas de um processo, mas sim de uma
história importante”, declarou.
José Ventura de Oliveira, 67 anos, que na década de 70 fazia parte da
Juventude Operária Católica, é outro que terá seu processo julgado hoje. Ele
contou que essa luta teve início em 1987 através de um grupo de trabalhadores
que teve reforço logo após a Constituinte de 1988. Ele lembrou ainda que
desde 2006, quando o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense trocou a
direção, o movimento ganhou mais força. De acordo com Ventura, é a primeira
vez que um número grande de processos é julgado de uma só vez. Isso
aconteceu, segundo ele, pelo importante empenho da atual direção do
sindicato. Ele citou também outras personalidades que sempre participaram
dessa luta, como o bispo emérito dom Waldir Calheiros. “Dom Waldir
sempre esteve à frente desses processos. Ele foi e continua sendo uma das
grandes forças dessa empreitada”, declarou
Ventura.
Reparação
Para a diretora da Secretaria da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos,
Maria da Conceição dos Santos, que hoje também está em Brasília acompanhando
o grupo, a indenização é mais do que uma reparação financeira. “A
indenização para os trabalhadores significa o reconhecimento do Estado
de que todos os perseguidos políticos estavam lutando pelo aprimoramento da
democracia no país. Estamos confiantes no resultado, já que outros
companheiros já conseguiram a vitória”, disse a diretora, ressaltando
que todos os envolvidos merecem a indenização, já que além de perderem o
emprego não conseguiram mais trabalhar de carteira assinada. Por isso,
segundo ela, acabaram ficando sem família. “A reivindicação é justa
para todos os perseguidos que muito sofreram. A nossa expectativa era que os
processos seriam julgados em Volta Redonda, mas
não teve como. Mesmo assim estamos confiantes”, explicou.
Maria da Conceição lembrou que hoje será feito apenas o julgamento de parte
dos processos de anistia requeridos pelos metalúrgicos da Cidade do Aço
ligados à CSN. “Será uma parte apenas porque uns já foram
julgados e outros estão em fase de recurso”, informou Conceição.
Objetivo
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Renato Soares, o
objetivo é pedir a reparação dos que sofreram perseguição durante a ditadura.
Soares lembrou que o grupo conta com o suporte total do sindicato para a
questão. “Assim que assumimos a direção do sindicato nos comprometemos
a entrar nessa luta. E é o que estamos fazendo”, falou. Ele lembrou
ainda que uma de suas primeiras ações quando assumiu a entidade foi acionar
representantes da Anistia para conhecer a situação, e que desde então está
acompanhando e apoiando todos os processos. “Vamos acompanhar essa luta
até o fim”, prometeu.
Bartolomeu
Citelli e Márcio Domingues estão entre o grupo que
seguiu ir para Brasília e que também participaram de greves ocorridas durante
o período de ditadura em Volta Redonda. Renato Soares informou que a
reunião da comissão chegou a ser planejada para o próximo dia 7, no
município, mas foi cancelada porque o contrato da empresa que organiza as
caravanas da anistia terminou e não haveria tempo hábil para renová-lo a
tempo de manter o evento.
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