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O
"PARECER BRILHANTE USTRA" REVELOU A VERDADEIRA FACE DO GOVERNO LULA |
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CELSOLUNGARETTI OREBATE 30/10/08 CELSO LUNGARETTI (*) Se
ainda havia dúvidas quanto ao lado para o qual pendem as simpatias do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão dirimidas: entre os carrascos da
ditadura de 1964/85 e suas vítimas, ele prefere os totalitários. Isto
já se depreendia de vários sinais emitidos por Lula. Como quando insinuou
que, se um cidadão continua acreditando nos ideais de esquerda ao tornar-se
sexagenário, é porque tem miolo mole. Ou quando
ele aceitou passivamente a nota oficial emitida pelo Alto Comando do Exército
para contestar a posição do Ministério da Justiça acerca dos assassinatos de
opositores políticos cometidos pelo regime militar, expressa no livro Direito à Memória e à
Verdade. Lula,
ademais, consentiu numa quebra de hierarquia, pois o posicionamento dos
comandantes colocara em xeque a autoridade do titular da Defesa (foi a última vez Já
o ministro da Justiça Tarso Genro, por ingenuidade ou segundas
intenções, provocou novamente Lula a descer do muro, ao
convocar, no final de julho, uma audiência pública para se discutir
a punição dos torturadores dos anos de chumbo. Forçado
a tomar partido, o presidente o fez, como sempre, ao lado dos militares,
descartando peremptoriamente qualquer iniciativa do Executivo no sentido da
revogação da Lei de Anistia. Mandou a esquerda
honrar seus heróis e mártires, em vez de ficar exigindo castigo para quem
torturou os heróis e executou os mártires. Finalmente,
semanas atrás, o ministro das Minas e Energia Edison Lobão não teve pejo em
fazer rasgados elogios aos governos dos generais, colocando até em dúvida se
constituíam verdadeiramente uma ditadura. Como ninguém o admoestou,
presume-se que estivesse autorizado a dizer o que disse. Então,
o caso da Advocacia Geral da União (AGU) está longe de ser um episódio
isolado. É apenas uma expressão mais acintosa da guinada à direita em curso
no Governo Lula. O "PARECER BRILHANTE USTRA" - Desconversas à parte, o
que houve agora foi simplesmente isto: a União assumiu a defesa dos
ex-comandantes do DOI-Codi/SP, Carlos Alberto
Brilhante Ustra e Audir
dos Santos Maciel, no processo que lhes-é movido
pelos procuradores federais Marlon Weichert e
Eugênia Fávero.
Segundo
a AGU, aquela lei colocou uma pedra definitiva sobre o assunto, nada mais
havendo a se fazer. É um arrazoado que, obviamente, servirá como munição
jurídica para os torturadores, em todos os tribunais a que forem conduzidos. Talvez
seja o caso de o denominarmos Parecer Brilhante Ustra, assim
como um casuísmo da ditadura militar para favorecer o pior dos torturadores
do Deops/SP recebeu o apelido de Lei Fleury... TORTURA
ERA REGRA, NÃO EXCEÇÃO - Esta
decepcionante evolução dos acontecimentos está longe de ser inesperada, vindo ao encontro do que escrevi quando Genro
e o secretário especial de Direitos Humanos Paulo Vannuchi
promoveram aquela malsinada audiência pública. Depois
que Lula se manifestou claramente contra a revogação da anistia de 1979,
Genro tentou maquilar a derrota como vitória, propondo que fossem abertas na
Justiça ações contra os ex-torturadores, sob a acusação de terem cometido
crimes comuns. Segundo ele, as atrocidades não se tipificavam como crimes
políticos e, portanto, ficavam de fora do guarda-chuva protetor da Lei de
Anistia.
*
a tortura nunca fora um excesso cometido por meia-dúzia de aloprados nos porões, mas sim uma política de Estado que,
embora não assumida formalmente, nem por isso deixara de ser menos efetiva,
tendo sido implementada com a concordância ou a omissão de toda a cadeia de
comando;
*
que não representaria a verdadeira justiça, ficando-se longe de passar o
período realmente a limpo; e
Isto,
claro, se não houver um recuo tático do governo, em razão do ultimato de Vannuchi (que deixará sua Pasta se a AGU não retirar o
parecer) e das várias manifestações de repúdio que estão pipocando. Mas,
nada impedirá que, dentro de semanas, estejamos novamente nos chocando com a
hostilidade de Lula aos ideais e valores da esquerda. Então,
já passou da hora de compenetrarmo-nos que nossas bandeiras não são assumidas
pelo atual governo nem serão por ele ou dentro dele viabilizadas. Se
quisermos justiça e respeito, teremos de lutar por ambos. Junto à sociedade,
não nos gabinetes palacianos. Bem
melhor do que mobilizarmo-nos para derrubar um parecer da AGU, servindo como peões na luta interna do Planalto, seria agirmos de
forma autonôma e contra um alvo de primeira
grandeza: o entulho autoritário atrás do qual o inimigo está abrigado. A
anistia de 1979 tem de ser revogada, em nome das vítimas da ditadura mais
brutal que o Brasil já conheceu e de nosso auto-respeito como Nação. Que
se levante a bandeira correta, justa e necessária, de uma vez por todas! |