|
Brasília,
01 de abril de 2011.
[1]
João Lucena e o Curió: eles apoiam
a decisão do STF de absolver a Lei da Anistia !
O Conversa Afiada reproduz
post do Celso Lungaretti:
[2]
Celso Lungaretti (*)
Lucena: “O sujeito amarrado, algemado e o executor puxava o gatilho
e matava”
Definitivamente, não foi o aniversário com que sonhavam as viúvas
da ditadura.
Se já não bastasse a Folha de S. Paulo haver desencavado diretrizes da Marinha ordenando a eliminação dos
guerrilheiros do Araguaia [3], o SBT levou ao ar uma
entrevista-bomba do antigo torturador João Lucena Leal, concedida a Roberto Cabrini.
Eis alguns trechos mais impactantes:
“Na entrevista, Lucena descreveu, com tranqüilidade e frieza, o que
viu e o que fez com os adversários políticos do regime. ‘O sujeito
amarrado, algemado e o executor puxava o gatilho e matava’, disse ele
ao narrar uma das cenas entre as inúmeras das quais presenciou e participou.
…informou ter apenas um remorso. Foi quando viu o corpo de uma moça
de 17 anos morta pelos militares. ‘Peguei no corpo dela e ainda estava
quente. A moça não tinha ideologia nenhuma’.
Em Rondônia, Lucena ficou rico como advogado de traficantes e de notórios
assassinos, como o fazendeiro Darli Alves, que
matou a tiros, no Acre, o líder seringueiro Chico Mendes.
Preso nesta semana por porte ilegal de arma, Curió não ficou nem um dia
detido
Mostrando profundo conhecimento no assunto, o advogado disse que, na sua
época, o método mais utilizado era o pau de arara, nas suas palavras,
‘um instrumento cruel, devastador, que deixa seqüelas. Tem muita gente
que não resiste meia hora e conta tudo. Às vezes, é só mostrar o instrumento
e ele (a vítima) abre’.
Lucena afirmou ter visto de dez a 15 execuções de guerrilheiros do PC do
B no Araguaia, entre elas, a morte de uma jovem identificada por ele como
‘Sônia’, que foi assassinada pelo hoje major reformado do
Exército Sebastião Curió.
Tanto Curió quanto Lucena participaram das investigações
e prisão da hoje presidente Dilma Rousseff, então
militante política. ‘Ela (Dilma) era uma menina de 17 ou 18 anos de
idade que foi presa e levada para a Operação Bandeirantes
e entregue ao delegado Fleury (Sérgio Paranhos Fleury, notório torturador)’.”
Aparentemente, a “moça de 17 anos morta pelos militares”, que
“não tinha ideologia nenhuma”, seria moradora da região e não
guerrilheira.
Quanto à Sônia, Lucena pode estar se referindo a Lúcia Maria de
Souza, estudante de medicina do RJ que chegou a prestar serviços médicos aos
habitantes do Araguaia e a fazer partos.
Sônia: “Guerrilheira não tem nome, seu fdp.
Eu luto pela liberdade”
Emboscada por uma patrulha do Exército em outubro/1973, quando estava em
curso o extermínio de todos os guerrilheiros localizados, levou tiros mas, sem que que os militares
percebessem, tombou em cima de sua arma.
Ao perguntarem seu nome, ela deu a resposta célebre: “Guerrilheira
não tem nome, seu fdp, eu luto pela
liberdade!”.
E, puxando o revolver de sob o corpo, atirou neles, atingindo no braço o
(então) major Lício Maciel e na barriga o
capitão Sebastião Alves de Moura.
Foi em seguida metralhada e seu corpo, abandonado insepulto na mata.
O capitão Sebastião se tornou mais conhecido com a patente que adquiriu
depois (major) e o apelido de Curió. Na reserva, ele é, na verdade, coronel.
Pensava-se que, ferido, não tivesse sido ele um dos executores de Sônia.
Agora, Lucena pode ter lançado uma nova luz sobre o episódio.
O chefão do Serviço Nacional de Informações e futuro ditador João
Baptista Figueiredo chegou a citar numa entrevista a reação de
Sônia como exemplo do “fanatismo” dos guerrilheiros…
|