PF encontra vala suspeita de ter ossadas da ditadura

 

Brasília, 01 de dezembro de 2010.

Restos foram achados em ossuário clandestino na Vila Formosa, em SP

Busca foi motivada por documentos de Virgílio Gomes da Silva, que militava, na década de 1960, em grupo armado

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DE SÃO PAULO

Peritos da Polícia Federal encontraram ontem, em São Paulo, restos de ossadas humanas em uma vala suspeita de abrigar corpos de vítimas da ditadura militar.
Os restos mortais estavam dentro de sacos, no interior de um ossuário clandestino sob um canteiro do cemitério de Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.
Os trabalhos começaram no último dia 8 e devem prosseguir até sexta-feira.
A equipe achou "uma camada de sacos azuis, típicos de serviço funerário, embaixo de uma camada de terra de mais ou menos 1,5 m", afirmou a procuradora da República Eugênia Gonzaga.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e o Ministério Público Federal em São Paulo e acompanham as buscas.
Coberto por terra e cimento, o vão subterrâneo tem em torno de 3 m de largura por 3 m de comprimento. Dezesseis sacos foram retirados até as 17h30 de ontem.
Segundo Eugênia, a descoberta feita ontem é "provavelmente da década de 80 ou 90" e pode ser fruto de uma remoção ilegal de corpos.
A perspectiva, segundo ela, é detectar restos dos anos 70 nos próximos dias.
Documentos obtidos pela família de Virgílio Gomes da Silva, que apontam o terreno em que ele teria sido enterrado, motivaram a varredura em Vila Formosa. Líder sindical e veterano da ALN (Ação Libertadora Nacional), sob o codinome Jonas ele comandou, em 1969, o sequestro do embaixador Charles Elbrick.
A próxima etapa consiste em cruzar características das ossadas com fotos, dados médicos e material genético. A precariedade dos restos, porém, pode ser um percalço para a identificação.
"Vai ser muita sorte a gente conseguir chegar a uma individualização de cada ossada", disse Eugênia