Buscas por corpos de desaparecidos da ditadura
começa na zona leste de SP
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Brasília,
30 de novembro de 2010. Ainda que sejam encontrados, identificação depende das condições do material genético, diz promotora Cemitério passou por descaracterização na década de 1970, o que dificulta localização de ossadas (Foto: Divulgação Serviço Funerário de SP) São Paulo - Na manhã desta segunda-feira
(29), foram iniciadas as primeiras buscas oficiais por desaparecidos
políticos da ditadura militar enterrados no cemitério de Vila Formosa, na
zona leste da capital paulista. O trabalho conta com a participação do
Ministério Público Federal, da Polícia Federal, do Instito Médico Legal e da
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. As escavações
eram cobradas há anos por ativistas de direitos humanos e por familiares dos
desaparecidos. A expectativa do procurador da República
Marlon Weichert é que os trabalhos avancem em duas frentes. A primeira fase
das escavações deve ir até esta sexta-feira (3). O trabalho iniciado nesta
manhã, tem agentes da Polícia Federal e funcionários
do cemitério. A outra frente, que pode começar também
nesta semana, é a tentativa de localizar o corpo de Virgílio Gomes da Silva,
conhecido como Comandante Jonas, da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Em
1968, ele participou do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil,
Charles Elbrick. No ano seguinte, foi preso, torturado e morto por agentes do
regime autoritário. A eventual localização de ossadas não assegura
a identificação. Isso depende do estado dos corpos e do acondicionamento em
que se encontrarem. Se for grande a quantidade e se não estiverem envoltas
por sacos plásticos, por exemplo, reduz-se a possibilidade de que o material
genético tenha sido preservado. "Por mais que seja ifícil o trabalho,
é um avanço", avalia a procuradora da república Cemitério
alterado
O cemitério de Vila Formosa passou por
grandes transformações a partir dos anos 1970. Agentes do regime militar
empenharam-se para descaracterizar o local com mudanças na numeração de
quadras, nas vias e no local de jazigos. Antigos funcionários confirmaram à
Rede Brasil Atual, em junho deste ano, que havia grande movimentação na época
da ditadura. Alguns confirmaram que caminhões com corpos apresentados como
indigentes eram encaminhados do local. Arte: Julia Lima; Fotos: Arquivo |