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Brasília,
03 de maio de 2011.
Documento da Aeronáutica confirma relatos sobre operação em 1970 em SP
Parceiro do ex-capitão do Exército relembra barulho
de explosões; relatório foi liberado pelo Arquivo Nacional
RUBENS VALENTE
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BRASÍLIA
Documento das Forças Armadas liberado após 41 anos de sigilo revela que, em
1970, aviões da FAB despejaram bombas em áreas civis na região do Vale do
Ribeira, em São
Paulo, durante cerco ao grupo do guerrilheiro Carlos
Lamarca, da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).
O papel confirma o que poderia antes parecer exagero dos relatos feitos pelos
militantes de esquerda que participaram do conflito: "Aviões B-26, da
FAB, bombardearam regiões suspeitas".
O ex-guerrilheiro Darcy Rodrigues, 69, hoje capitão da reserva do Exército e
na época braço direito do ex-capitão do Exército Lamarca, confirmou ontem à Folha
que durante dez dias viu aviões sobrevoando a região e ouviu explosões que
ele julgou serem de bombas caindo na região de Jacupiranga,
a cerca de 30 km
de Registro.
"Eles escolhiam para bombardear as reentrâncias
da serra do Mar, onde achavam que estávamos escondidos. Jogavam as bombas no
início da manhã e à tarde."
"Para eles, não era só nos caçar, era também fazer exercício de guerra
diferente."
Em fuga, Rodrigues, o "Leo", se escondeu na mata até ser preso,
agredido e levado a São Paulo, onde foi submetido a torturas diárias.
Ele era um aliado de Lamarca desde os anos 60, quando deixou o Exército para
seguir o capitão. Depois, exilou-se em Cuba até 1980.
A Folha também localizou o motorista de Lamarca, Joaquim dos Santos, o
"Monteiro". Ele escapou da região e avisou outros membros da VPR,
mas acabou preso pela Oban (Operação Bandeirante). Lá ouviu de policiais
relatos sobre o bombardeio. "Eles falavam que tinha é que jogar bomba
mesmo."
O relatório que cita o bombardeio foi produzido pelo CIE (Centro de
Informações do Exército), redistribuído pela Aeronáutica e integra o lote de
50 mil documentos entregues recentemente ao Arquivo Nacional de Brasília.
O texto descreve a "Operação Registro", desencadeada pelo Exército,
pela Aeronáutica e pela Polícia Militar de São Paulo entre 27 de abril de 5
de maio de 1970.
A partir das primeiras informações fornecidas sob tortura, por presos no Rio,
o Exército chegou à região do grupo de 19 guerrilheiros liderados por
Lamarca. Ele, contudo, conseguiu romper o cerco militar e conseguiu chegar ao
sertão da Bahia, onde foi cercado e morto no ano seguinte.
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