É lançado primeiro comitê da
verdade regional
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Brasília,
04 de julho de 2011.
Foi lançado nesta terça-feira às 10h o
Comitê da Verdade do Distrito Federal, com o intuito de apurar o
desaparecimento de pessoas que combateram a ditadura no Brasil. Cerca
de 300 pessoas estiveram presentes no auditório da reitoria da Universidade
de Brasília para prestigiar o evento. Enquanto a Comissão Nacional da Verdade
não sai do papel, organizações civis se antecipam e criam comitês regionais
para pressionar o governo. Participaram da mesa de lançamento a
ministra de Direitos Humanos das secretaria da
Presidência da República, Maria do Rosário; a deputada distrital e presidente
da Comissão de Direitos Humanos da câmara legislativa, Celina Leão; e a
deputada federal e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados Érika Kokay. O reitor da Universidade de
Brasília, José Geraldo de Souza Júnior, recebeu também a presidente da
Comissão de Mortos e Desaparecidos de São Paulo, Luiza Erundina. Durante a
breve cerimônia, cada um dos participantes da mesa fez um discurso apoiando a
iniciativa brasiliense. Os comitês são organizações sem vinculação
política e não têm acesso a documentos da ditadura, apesar disso, eles são
capazes de estimular o governo e apurar, por conta própria, crimes políticos.
Já foram criados quase 20 comitês da verdade. Mais que pressionar o governo
pela criação da Comissão Nacional da Verdade, os comitês são importantes para
reunir as investigações de crimes políticos. Com cada cidade apurando suas
denúncias, a comissão poderá trabalhar com mais abrangência e segurança. A proposta de criação da Comissão Nacional
da Verdade tramita no Congresso pelo projeto de lei nº 7376/2010. Atualmente
o projeto está na Câmara dos Deputados e aguarda a criação de uma comissão
especial da casa. A comissão será composta por sete membros indicados pelo
presidente da República e terá dois anos para produzir um relatório. As ações
terão de seguir a Lei da Anistia e as leis que criaram a Comissão Especial
sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão de Anistia. A Comissão da Anistia, criada em 2001,
pretende indenizar famílias que foram prejudicadas financeiramente por
motivações exclusivamente políticas entre o ano de 1946 e 1988. Sueli Bellato, representante da comissão e presente no
lançamento, acredita que terá acesso a documentos que tornarão seu trabalho
menos doloroso. “Às vezes negamos o pedido de uma família com o coração
sangrando. Agora teremos acesso a documentos que não tínhamos antes, isso vai
facilitar nosso trabalho”. Em discurso caloroso, Maria do Rosário
deixou clara a disposição do poder executivo A proposta de criação da Comissão Nacional
da Verdade tramita no Congresso pelo projeto de lei nº 7376/2010. Atualmente
o projeto está na Câmara dos Deputados e aguarda a criação de uma comissão
especial da casa. A comissão será composta por sete membros indicados pelo
presidente da República e terá dois anos para produzir um relatório. As ações
terão de seguir a Lei da Anistia e as leis que criaram a Comissão Especial
sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a Comissão de Anistia. A Comissão da Anistia, criada em 2001,
pretende indenizar famílias que foram prejudicadas financeiramente por
motivações exclusivamente políticas entre o ano de 1946 e 1988. Sueli Bellato, representante da comissão e presente no
lançamento, acredita que terá acesso a documentos que tornarão seu trabalho
menos doloroso. “Às vezes negamos o pedido de uma família com o coração
sangrando. Agora teremos acesso a documentos que não tínhamos antes, isso vai
facilitar nosso trabalho”. Em discurso caloroso, Maria do Rosário
deixou clara a disposição do poder executivo em levar adiante a investigação
da ditadura no Brasil. Depois de se colocar a disposição do comitê, reforçou
sua vontade particular de prosseguir. “Nós não vamos amarelar na hora
de abrir a caixa preta”, revelou. Em dezembro de Segundo a corte, O Brasil teria que
devolver os restos mortais às famílias dos desaparecidos. Ainda segundo a
corte é dever do Estado investigar, julgar e punir torturadores. A punição
dos torturadores brasileiros é impedida pela lei da anistia de 1979, que foi
uma via de mão dupla: anistiou os presos políticos, mas também anistiou os
seus algozes. Histórias interrompidas Laurenice Dias, apesar de não ter ficado presa, sofreu na
pele as consequências da ditadura. Perdeu o marido
antes do tempo e até hoje se emociona ao contar sua história. “Meu
marido morreu jovem ainda. Ele saiu vivo, mas com 54 anos eu acho que ainda é
muito jovem para morrer, ele nunca se recuperou do que viu na prisão. Ele viu
um rapaz ser torturado até a morte, e nunca se recuperou disso. Nós colocamos
o nome do nosso primeiro filho em homenagem a esse rapaz. É uma forma de
continuar vivendo aquela luta, aquela história, em outra geração”. Laurenice não vê na comissão uma chance de revanche.
“Acho que não é uma coisa de sair numa caça às bruxas como fizeram
conosco, não se deve fazer disso uma paranóia nacional, e nem fazermos hoje
novas vítimas, vivemos uma nova situação e os nossos algozes também têm
família. Da mesma forma que nós fomos vítimas de um processo eu não quero que
eles sejam vítimas de uma tentativa nossa de puní-los”,
afirmou. Análise da notícia |