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Série revela ação dos EUA
no golpe de 64 |
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Brasília,
07 de abril de 2011.
Gravações inéditas de conversas dos
presidentes dos EUA John Kennedy (1961-1963) e Lyndon
Johnson (1963-1969) com o embaixador no Brasil Lincoln Gordon sobre o
presidente João Goulart e o golpe de 64 - que fez 47 anos na semana passada-
destacam-se na série O Dia que Durou 21 Anos, que a TV Brasil começou a
exibir ontem e que vai até amanhã, às 22h. Obtidos nas bibliotecas americanas
dedicadas aos dois mandatários da Casa Branca nos anos 60, os registros
mostram indícios de que a participação americana na movimentação militar foi
maior do que se supunha. Até a possível ação de aviões militares americanos
para apoiar conspiradores brasileiros na luta que os EUA esperavam demorada e
sangrenta - e que não aconteceu - foi preparada. "Apoio aéreo pode ser fornecido
imediatamente se houver campo de pouso no Recife ou outro lugar no Nordeste
do Brasil capaz de receber aviões de grande porte", diz, em uma
gravação, o secretário de Estado Dean Rusk. A movimentação seria parte da Operação Brother Sam,
o deslocamento, em apoio ao golpe, de uma frota naval americana para a costa
brasileira. O diretor da série, Camilo Tavares, da
produtora Pequi Filmes, explica que o trabalho é uma versão "pequena e
resumida" do documentário que deverá estar nos cinemas em dois meses. A
pesquisa foi feita por uma equipe capitaneada por seu pai, o jornalista
Flávio Tavares, e incluiu, além das gravações da
John Kennedy Library e da Lyndon
Johnson Library, liberadas após 40 anos, documentos
da Central Intelligence Agency
(CIA) e da Casa Branca. Os três episódios são construídos em torno
da figura de Gordon. Ele aparece, em abril de 62, em conversa com Kennedy,
que pergunta: "Você acha que Goulart, se tivesse poder, agiria?"
Gordon responde: "Acho que faria algo como Perón". O presidente
retruca: "Um ditador". "Um ditador pessoal e populista", completa Gordon. "Acho que não posso fazer nada com
ele ali", diz Kennedy. "Acho que pode", fala o diplomata.
Adiante, Gordon diz: "O fundamental é organizar forças políticas e
militares para reduzir seu poder e, num caso extremo, afastá-lo." A produção, em parceria com a TV Brasil,
foi financiada com recursos da Lei Rouanet e teve
apoio do Ministério da Cultura, além de patrocínio da Sabesp, da Cesp e da
Eletrobrás. Os três episódios são construídos em torno
da figura de Gordon. Ele aparece, em abril de 62, em conversa com Kennedy,
que pergunta: "Você acha que Goulart, se tivesse poder, agiria?"
Gordon responde: "Acho que faria algo como Perón". O presidente
retruca: "Um ditador". "Um ditador pessoal e populista", completa Gordon. "Acho que não posso fazer nada com
ele ali", diz Kennedy. "Acho que pode", fala o diplomata.
Adiante, Gordon diz: "O fundamental é organizar forças políticas e
militares para reduzir seu poder e, num caso extremo, afastá-lo." Em outra gravação, depois do golpe, Lyndon Johnson, é instado pelo assessor McGeorge Bundy a enviar uma
mensagem discreta para a posse do marechal Castelo Branco
na Presidência. "Há uma diferença entre Gordon, que quer que seja
entusiasta, e nosso ponto de vista na Casa Branca, de que o senhor deveria
ser cauteloso enquanto este cara (Castelo) está botando gente em cana",
diz. Johnson responde: "Acho que tem gente que precisa ir em cana aqui e lá também. (...) Gostaria que tivessem
colocado alguns em cana antes que tomassem Cuba." Bundy
insiste: "Uma mensagem mais rotineira seria mais desejável". O
presidente: "Eu gostaria de um certo
entusiasmo". O assessor pondera: "Vai ser publicado..." E Lyndon Johnson: "Eu sei, mas estou me lixando". |