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Moradores
tratados como subversivos vão a OAB |
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Brasília,10
de junho de 2011. Por
Marcelo Auler A diretoria da Associação dos
Torturados da Guerrilha do Araguaia, que representa lavradores e moradores
daquela região da Amazônia que foram vítimas das tropas do Exército durante o
período em que os militares reprimiram a Guerrilha do Araguaia (entre 1972 e
1974), estará nesta terça-feira (7/6) com o presidente da OAB, Ophir Cavalcante. Vão discutir o apoio da entidade na
busca que fazem por reparações pelos danos morais e materiais que sofreram. “São, sobretudo, pessoas
que não estavam ligadas ao movimento guerrilheiro daquela época, mas que
foram presas, torturadas, sequestradas pelos
militares. Eram lavradores e até hoje não receberam nada, agora querem
reparação”, explica o presidente da OAB do Rio, Wadih
Damous, que a convite de Cavalcante participará do
encontro. Também estará presente o presidente da Comissão Nacional de
Relações Internacionais da OAB, Cezar Britto. Segundo o presidente da OAB-RJ,
“para o Estado, naquela época, eles eram, "subversivos".
"Hoje querem um reconhecimento, já que foram tratados como tais, mas não
houve qualquer reparação. Sequer um pedido de desculpas
pelo estado brasileiro”. Damous desconhece o tipo de ajuda que será pedida: “Vamos
tomar ciência do objetivo deles, por quais motivos, efetivamente, estão
procurando a OAB. Se querem que ingressemos com alguma medida judicial ou
apenas que façamos a denúncia. A partir daí vamos estudar e ver como
poderemos atender suas reivindicações, esperamos que não seja
necessária uma ação judicial”, explicou ele à revista ConJur. O Conselho Federal da OAB tem
defendido que a violência cometida pelos militares na Guerrilha do Araguaia
seja investigada. Apesar de o Supremo Tribunal Federal ter declarado
que a Lei da Anistia também beneficia aqueles militares, a OAB quer um reexame
do caso pelo STF. Este pedido foi feito a partir da sentença da Corte
Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA (Organização dos Estados
Americanos) que condenou o Estado brasileiro pela falta de investigação dos
crimes cometidos por agentes da repressão contra os militantes de esquerda
que protagonizaram a luta armada naquela região. Para isso, o Conselho Federal
da OAB ingressou com uma petição solicitando que o Supremo decida se o país
deve ou não cumprir a decisão da Corte da OEA. Ao contrário do STF, os oito
membros da Corte Interamericana entenderam que a Lei da Anistia brasileira
não pode impedir as investigações do caso e as sanções das graves violações
aos Direitos Humanos cometidos pela tropa de militares. O entendimento do Supremo de
que a Lei da Anistia beneficia também os agentes do Estado que atuaram na
repressão política foi decidido em abril de 2010, por sete votos a dois. Mas
a OAB entende que como foi impetrado Embargos de Declarações, o julgamento
ainda não foi concluído, permitindo que o assunto volte ao debate, inclusive
colhendo-se os votos dos ministros Luiz Fux e Joaquim
Barbosa, que não estavam naquela sessão, e deixando os ministros se
manifestarem sobre a decisão da Corte Interamericana que só foi conhecida em
dezembro. Para a Ordem, ou o STF cumpre a
decisão da Corte de Direitos Humanos e dá nova interpretação à Lei de
Anistia, "ou o Brasil tornar-se-á um país fora-da-lei no plano
internacional". Na sentença, a Corte da OEA declarou a "manifesta
incompatibilidade" da Lei de Anistia com a Convenção Interamericana de
Direitos Humanos, a qual o Brasil ratificou em 1992. fonte: CONJUR |