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OAB discute
questão da anistia a vítimas de repressão no Araguaia |
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Brasília,10
de junho de 2011. Brasília,
07/06/2011 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, manifestou hoje (07) sua preocupação
com a situação dos camponeses que foram afetados pela repressão à Guerrilha
do Araguaia (1972-75), tiveram seus prejuízos reparados pela Comissão de
Anistia do Ministério da Justiça em 2009, mas, em função de uma liminar
concedida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, viram essa reparação
suspensa naquele mesmo ano. "A
OAB vê com muita preocupação esse fato e essa dívida não resolvida até hoje
pelo Estado para com aqueles cidadãos, que continuaram inclusive enfrentando
problema de desrespeito a seus direitos até 2001, conforme relatos que
ouvimos aqui hoje", destacou Ophir, informando
que estudará providências em apoio aos camponeses. O presidente nacional da OAB se
referiu principalmente a relatos feitos hoje, durante uma audiência em seu
gabinete, pelos presidentes da Associação dos Torturados da Guerrilha do
Araguaia, José Morais, o Zé da Onça, e da Associação dos Ex-Combatentes da
Guerrilha do Araguaia, Raimundo Melo. Da reunião participaram também o secretário-geral
do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho;
o membro honorário vitalício da entidade, Cezar Britto; o presidente da OAB
do Rio de Janeiro, Wadih Damous,
o ex-deputado federal Aldo Arantes (PCdoB-GO) e advogados das associações. Durante seu relato, Zé da Onça
reclamou que a suspensão pela Justiça Federal (por representação provocada
pelo deputado Jair Bolsonaro- PP/RJ) dos benefícios
aprovados pela Comissão da Anistia, deixou em situação dificílima 45 famílias
da região onde houve a Guerrilha. Elas tinham sido indenizadas pelos danos,
sobretudo materiais, sofridos durante as quatro campanhas do Exército que
dizimou a Guerrilha comandada pelo PCdoB no Araguaia. Esses camponeses
comprovaram que os poucos bens que possuíam, como
plantações, criações, equipamentos agrícolas, foram destruídos pelas forças
de segurança à época. Muitos deles, hoje na casa dos 70 anos, sofreram também
lesões graves durante a repressão - por sua proximidade com os guerrilheiros
- e hoje, sem os recursos da anistia, não têm condições financeiras para
cuidar da saúde. Ophir ficou também impressionado com o depoimento do
ex-combatente da Guerrilha do Araguaia Raimundo Melo, que citou vários casos
de tortura e de execuções que teria presenciado durante a Guerrilha, citando
ainda colegas que poderiam indicar a localização de vários dos corpos de
guerrilheiros que foram executados - e até hoje não encontrados. Ele disse
que a OAB por meio de sua Comissão Nacional de Direitos Humanos deverá
aprofundar as discussões e investigações em torno dessas revelações. fonte:
OAB |