Representantes de beneficiados vêem “decisão arbitrária”

 

Brasília, 13 de agosto de 2010.

Entidades de representação de anistiados políticos manifestaram indignação diante do anúncio do TCU de que vai revisar indenizações já pagas a perseguidos políticos durante o período da Ditadura Militar.

 

            “É mais uma decisão arbitrária contra os anistiados. O TCU, que não é um tribunal de fato, quer atropelar uma lei aprovada pelo Congresso, esquecendo que não trata de indenizações, mas sim de reparações trabalhistas a pessoas que foram impedidas de trabalhar e ganhar a vida na ditadura”, afirmou Ivan Seixas, vice presidente do Fórum de Ex-Presos Políticos do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

 

            Em Porto Alegre, Jair Krischke, diretor do movimento de Ex-Presos e Perseguidos Políticos Brasileiros, viu ingerência indevida. “O TCU não tem de examinar ou revisar valores, mas olhar se a Lei foi cumprida”, argumentou Krischke. De acordo com ele, no momento, o maior não é o pagamento das indenizações.

 

            No Rio de Janeiro (CIC), a Presidente da ABAP, Alexandrina Cristensen, preferiu não comentar o anúncio do TCU antes de ler o texto oficial com a decisão. Ela observou, no entanto, que os anistiados, entre eles o seu marido, se levantaram em defesa da democracia e assim deveriam ser lembrados.

            “Na hora em que os opositores da ditadura foram massacrados, não se viu o mesmo furor manifestado hoje por pessoas que dizem defender os interesses do Estado”, ressaltou Alexandrina.