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Brasília,
13 de setembro de
2011.
FONT UNAA
olsonaro invade
coletiva e acusa farsa na Comissão da Verdade
13 de setembro de 2011 • 19h23 •
atualizado às 20h37
Para Bolsonaro, Comissão da Verdade quer revanche
Foto: Renato
Araújo/Agência Brasil
Laryssa
Borges
Direto
de Brasília
O polêmico
deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) protagonizou nesta
terça-feira mais um episódio controverso ao interromper uma entrevista
coletiva concedida pelo líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), entrar diante das câmeras e acusar o
governo federal de montar uma "farsa" com as articulações para a
criação da chamada Comissão da Verdade.
Afirmando falar
em nome de oficiais generais, Bolsonaro condenou a
iniciativa do Palácio do Planalto de aprovar o grupo de trabalho que terá por
função examinar as violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988
para "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a
reconciliação nacional". O parlamentar criticou particularmente um
trecho do artigo 4º do projeto que cria a comissão e que prevê que "é
dever dos militares colaborar com a Comissão da Verdade".
"Eles
desbordam a Lei da Anistia. Se é dever, o militar que não colaborar e não
disser o que eles querem ouvir pode ser preso, sim. Essa é uma farsa, uma
mentira. É um projeto que caminha apenas para apurar o que eles querem. Eles
não querem apurar justiçamento no Araguaia, roubos,
sequestros, execuções e justiçamentos.
Isso é uma mentira. Eles querem colocar no currículo escolar a mentira que
foi a esquerda, que recebeu dinheiro de Fidel Castro para financiar a luta
armada no País. Devemos, de acordo com a proposta aqui, criar uma estátua do
tamanho de Cristo em homenagem a Fidel Castro lutando pela democracia, porque
ele foi o que mais despendeu dinheiro para a luta armada no País",
criticou, aos gritos, o deputado.
Sem cair na
provocação, Vaccarezza deixou a
coletiva e disse que discutiria com o deputado em Plenário. O governo
pretende votar a criação da Comissão da Verdade na próxima semana,
possivelmente no dia 21.
"Não há
dúvida que é (a comissão) da revanche, porque aqui tudo é impositivo,
inclusive eles têm o poder de buscar documentos na casa de quem quer que
seja. Vão meter o pé na porta de casas de velhos generais e velhos coronéis
para tirar de dentro o que bem entender, sem autorização judicial, inclusive.
Nada temos a temer. O que não queremos é que faça uma mentira. Duvido que um
só comandante militar concorde com o que está escrito aqui", afirmou Bolsonaro.
O deputado, que
distribuiu uma espécie de manifesto às pessoas presentes no Salão Verde da
Câmara, elencou o que classificou de "as verdades que o PT não
quer", entre as quais a apuração das mortes dos prefeitos de Santo
André, Celso Daniel, em 2000, e de Campinas, Toninho do PT, em 2001.
Para Bolsonaro, também não seria democrático o fato de o
Executivo indicar todos os sete futuros integrantes da Comissão da Verdade,
sem que o Congresso possa apresentar indicados. O deputado lembrou, por fim,
que o atual assessor do Ministério da Defesa e negociador da criação do grupo
de trabalho, José Genoino, é um ex-guerrilheiro. "Que isenção vai ter
essa comissão com sete indicados pela presidente? Nós queremos a verdade, e
os senhores querem esconder a verdade. Está escrito, eu não estou mentindo.
Sim, (militares) me procuraram. O Genoino, um guerrilheiro do Araguaia,
falando em nome dos militares? Isso é inadmissível", afirmou.
Atualmente, o
principal entrave à aprovação da Comissão da Verdade no Congresso é a
composição do colegiado. O DEM, por exemplo, defende que parte dos
integrantes da futura comissão possa ser indicados
pelos parlamentares para garantir que a grupo de trabalho não fique sujeito a
pressões políticas.
Quando
viabilizada, a Comissão Nacional da Verdade poderá requisitar documentos
públicos ou pedir à Justiça acesso a documentos privados, investigar
violações aos direitos humanos, com exceção dos crimes políticos, de
motivação política e eleitorais abrangidos pela Lei
da Anistia, "promover a reconstrução da história dos casos de violação
de direitos humanos" e disponibilizar meios e recursos necessários para
a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos.
Paralelamente à aprovação da Comissão, o governo trabalha para manter
fora de votação um projeto da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) que prevê
alterar a Lei de Anistia para punir quem matou, torturou e foi responsável
pelo desaparecimento de opositores do regime militar.
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