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Brasília,
15 de junho de 2011.
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A
resistência vai dar frutos
Daniel Mello
Repórter
da Agência Brasil
São Paulo – O projeto Brasil Nunca
Mais Digital que vai repatriar a digitalizar o conteúdo de 707 processos
instaurados no Superior Tribunal Militar durante a ditadura de 1964 a 1985 foi lançado
hoje (14) na capital paulista. Os documentos serão hospedados no servidor do
Ministério Público Federal e disponibilizados para consultas pela internet. A
previsão é que o processo seja concluído em um ano.
Os arquivos do período entre 1961 e 1976
foram copiados e microfilmados ainda durante a
ditadura, em um trabalho apoiado por entidades católicas e protestantes.
Advogados pediam acesso aos processos com o pretexto de consulta e, em posse
dos documentos, passava para um grupo que fazia fotocópias antes do material
ser devolvido.
Depois tudo foi transformado em
microfilme, como forma de reduzir o risco de apreensão e facilitar o
transporte. Com medo que os militares destruíssem as provas das violações dos
direitos humanos, as cópias em microfilme foram enviadas para os Estados
Unidos onde ficaram sob a guarda do Center for Research
Libraries. O material retornou ao Brasil e foi
entregue hoje ao Ministério Público Federal.
O vice-presidente do Grupo Tortura Nunca
Mais, Marcelo Zelic, disse que, com o projeto, será
possível aprofundar as pesquisas. “Nós temos 1 milhão de páginas que
quando indexadas, com um sistema de busca moderno, podem trazer elementos
novos para muitas situações. Coisas que podem ter passado desapercebidas
nesses 26 anos de pesquisa manual e individual de cada pesquisador”,
afirmou.
Para o procurador da República em São Paulo, Marlon
Alberto Weichert, o sistema vai facilitar a difusão
e uso pedagógico dessas informações. “Precisamos educar o povo
brasileiro em cidadania e diretos humanos. E isso a gente só faz contando o
que ocorreu de uma forma transparente e imparcial”.
Em tempo: como diz
este ansioso blogueiro, a punição dos torturadores
vai ser como a Abolição da Escravatura: virá de fora para dentro.
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