COLLOR E SARNEY MANOBRAM POR SIGILO ETERNO
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Brasília,
15 de setembro de 2011. FONT O GLOBO Collor
e Sarney manobram por sigilo eterno Ex-presidentes trancaram votação do projeto sobre documentos ultrassecretos; Dilma passará constrangimento na ONU Maria Lima BRASÍLIA. Uma
manobra dos ex-presidentes da República Fernando Collor(PTB-AL)
e José Sarney (PMDB-AP) para impedir a votação do projeto que regulamenta o
acesso e acaba com o sigilo eterno nas informações oficiais vai levar a
presidente Dilma Rousseff a passar por
constrangimentos em sua estreia na Assembleia Geral da ONU, semana que vem. Ontem, o PT
tentou pressionar pela votação da urgência em plenário, mas Collor,
presidente da Comissão de Relações Exteriores, encaminhou à Mesa, e Sarney
despachou ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), um requerimento de
informações, suspendendo, assim, a tramitação da matéria no Senado até a
chegada das respostas. Na terça-feira,
dia 20, Dilma participará de uma mesa de debates com outros nove presidentes,
cujo tema é justamente "Governos abertos". E terá que assumir que o
Brasil será o único país, entre os debatedores, que não tem uma lei que
permita o acesso aos documentos oficiais. - Na mesa
redonda lá na ONU sobre "Governos Abertos" ,
Dilma vai ter assento e, o Brasil vai ser o único desses países que não tem
uma lei que trate de acesso aberto - protestou o senador Walter Pinheiro
(PT-BA), relator do texto aprovado na Câmara. - Não vai dar
para aprovar antes da semana que vem. A presidente Dilma terá que dizer lá na
ONU que a nossa lei está na reta final de votação - disse o líder do Governo
no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Essa é a segunda
vez que a presidente Dilma tenta aprovar a proposta. A primeira, em 2 de
maio, véspera do dia internacional da liberdade de expressão, quando ela
pretendia anunciar a sanção da lei. Naquele época, o
líder Romero Jucá chegou a apresentar à Mesa um requerimento de urgência para
votar direto no plenário, pois Collor estava segurando a votação na Comissão
de Relações Exteriores. Mas, por pressão
de Sarney, alegando atropelamento de Collor, Jucá concordou em dar um prazo
para que o presidente da Comissão apresentasse seu relatório e votasse na
comissão. Só que ele segurou de novo. E, na segunda-feira, recorreu ao
requerimento de informações ao GSI para trancar a votação. - Quero saber
qual o amparo regimental para que essa matéria, que tem urgência em plenário,
e essa urgência assinada por todos os líderes não foi derrotada, não foi
arquivada, voltou para a Comissão. Isso não é concessão é rompimento das
regras regimentais. Me aponte uma matéria que tenha
sido aprovada no Senado seguindo esse rito - reclamou Pinheiro, indignado com
a condução do caso pelo presidente Sarney. Além de trancar
pauta, Collor fez novo parecer Collor não só
segurou novamente a votação em plenário como fez um novo parecer mantendo, na
prática, o sigilo eterno para documentos considerados ultrassecretos.
O texto contraria o relatório do PT, que limita a prorrogação do sigilo a
apenas uma vez depois de 25 anos. Seu parecer também derruba a flexibilização
da divulgação dos documentos pela internet e incluiu apenas a divulgação no
DO. Nas perguntas
enviadas por Collor ao GSI, ele questiona, por exemplo, se há acordos
internacionais sobre salvaguarda de assuntos sigilosos que afetam as
atividades do GSI. E se a desclassificação automática, sem possibilidade de
prorrogação do sigilo de determinados documentos, poderá causar risco ou
ameaça à segurança nacional. Ao invés de incluir a votação do relatório na pauta
da Comissão, além do requerimento ao GSI, Collor aprovou calendário com duas
audiências públicas. A primeira delas a ser feita
hoje. Ao sair da reunião da comissão ontem, Collor se negou a responder a qualquer das perguntas feitas pelos jornalistas sobre o engavetamento da votação. Questionado se isso não provocaria um constrangimento à presidente Dilma, na ONU, ele tapou os ouvidos com papéis. Já o presidente Sarney apenas justificou o envio do requerimento de Collor ao GSI, mesmo sabendo que há um pedido de urgência assinado por todos os líderes na pauta. - Isso é previsto no regimento - disse Sarney. |