2 DISCURSOS

Brasília, 16 de setembro de 2011.

FONT CÂMAR A DOS DEPUTADOS

 

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DESTAQUES

Sem supervisão

Sessão: 243.1.54.O

Hora: 17:04

Fase: GE

Orador: JAIR BOLSONARO

Data: 14/09/2011

 

 

 


A SRA. PRESIDENTA (Rose de Freitas) - Concedo a palavra ao Deputado Amauri Teixeira. (Pausa.)

Chamei S.Exa. Não se encontra presente.

Deputado Carlinhos Almeida. (Pausa.)

Deputado Jair Bolsonaro.


O SR. JAIR BOLSONARO - Pronto, Sra. Presidente.

A SRA. PRESIDENTA (Rose de Freitas) - Em seguida, o Deputado Arnaldo Faria de Sá.


O SR. JAIR BOLSONARO (PP-RJ. Sem revisão do orador.) - Sra. Presidente, prezados companheiros, permitam-me aqui apelar a V.Exas., por favor. Leiam o projeto de lei que trata da Comissão da Verdade. Por favor, leiam. Porque há muitos colegas que não leram ainda.

Eu tenho aqui a cópia do projeto comentado. Quem quiser aprovar esse projeto estará apunhalando os militares das Forças Armadas do Brasil. Está apunhalando. É um ato de covardia. Por que um ato de covardia? Quem é que vai julgar os atos do passado aqui acontecidos no Brasil há pouco tempo aqui?

Uma Comissão onde os seus sete integrantes serão indicados por Dilma Rousseff, todos os sete integrantes serão indicados por Dilma Rousseff. Que isenção terá essa Comissão, meu Deus do céu? Eu apelo a V.Exas.
E mais, ainda: desborda a lei da anistia, permite a prisão de militares nesse projeto. Porque está escrito lá: que é dever do militar colaborar. Em um primeiro momento, vai haver uma prisão disciplinar. Ou seja, os comandantes da Marinha, da Aeronáutica e do Exército vão ter que prender os militares reformados porque não compareceram a uma convocação dessa Comissão.

Outra: é uma Comissão covarde, covarde. Por quê? Só quer apurar — além dos sete deles — os crimes de sequestros, justiçamentos, casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres.

E não quer apurar sequestros, largamente utilizados pela Esquerda, que sequestraram várias autoridades estrangeiras em nosso País; não quer apurar justiçamentos. Porque no Araguaia houve uma dezenas de injustiçados pela Esquerda. Não quer apurar carro-bomba, roubos a banco, bomba no Aeroporto de Guararapes, dinheiro recebido de Fidel Castro para financiar luta armada.

Vamos construir um memorial, uma estátua do tamanho do Cristo Redentor, lá no Rio, do Fidel Castro, em memória, em tributo à democracia. Isso é uma covardia, é uma patifaria que estão fazendo com os militares das Forças Armadas. Mais ainda, determina que a Comissão tem poder para meter o péna porta da residência dos militares na busca de informações que porventura eles acham que existem lá dentro. Está aqui no art. 4º do projeto: "Determinar a realização de diligências para a coleta de dados". Tem mais poder do que CPI.
Vocês, meus colegas, não podem colocar à execração pública velhos militares de ontem e de hoje. É uma covardia esta Comissão. Ela é tão covarde que ela blinda muita gente que está no Governo, porque eles não poderão ser convocados, porque só pode convocar militar (o microfone é desligado).
Não vai convocar guerrilheiros ou ex-guerrilheiros. Ainda constrange os comandantes militares. Eu duvido que um comandante militar venha a pública dizer que é favorável a essa proposta. Eu duvido! Eu duvido que qualquer um de vocês que converse com um oficial general que ele diga que é favorável a essa proposta que está aqui.

Nós não temos medo da verdade. A Esquerda tem medo do seu passado. Eles treinavam em Cuba, recebiam dinheiro de Fidel Castro e vinham aqui para a luta armada, sequestrando, roubando, causando terror em nosso País.
Po
r favor, meus companheiros! Quem ganha com essa proposta, o Parlamento ganha alguma coisa? Os grupos revanchistas da Esquerda, que querem apenas prender militares e humilhá-los, como fazem na Argentina e no Uruguai.
O apelo que faço aos meus colegas: leiam esse projeto antes de pensarem em votá-lo.

 

 

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DESTAQUE

Sem supervisão

Sessão: 243.1.54.O

Hora: 17:10

Fase: GE

Orador: IVAN VALENTE

Data: 14/09/2011

 

 

 


A SRA. PRESIDENTA (Rose de Freitas) - Concedo a palavra ao Deputado André Moura. (Pausa.)

Deputado Edinho Araújo. (Pausa.)

Deputado Fernando Ferro. (Pausa.)

Deputado Fernando Jordão. (Pausa.)

Deputado Silas Câmara. (Pausa.)


Deputado Ivan Valente.

O SR. IVAN VALENTE (PSOL-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sra. Presidenta, em primeiro lugar, quero chamar a atenção para o seguinte: a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, hoje, iria debater projeto da Deputada Luiza Erundina, que trata, inclusive, da revisão da Lei da Anistia, que tem incidência direta sobre a questão da Comissão da Verdade. O Deputado Jair Bolsonaro votou contra a entrada na pauta do projeto. Ele poderia discutir, mas fugiu do debate, aberto, sobre por que, só no Brasil, torturadores continuam circulando por aí. Pessoas que mataram, torturaram e perseguiram foram promovidas pelas Forças Armadas, enquanto aqueles que pegaram em armas não foram anistiados, mas punidos, mortos, torturados, exilados ou desapareceram.

Se ele queria discutir, deveria tê-lo feito lá, mas não quis. Ele se aliou ao Governo nessa questão, antes de debater sobre a Comissão da Verdade, porque vai haver incidência. Essa comissão, da qual somos a favor, deve ter autonomia, sim, para investigar as violações de direitos humanos, em todos os sentidos.

É por isso que defendemos que fosse discutida esta semana na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Infelizmente não foi possível, porque a Presidente quer levar o trunfo, para os Estados Unidos, na ONU, de passar a Comissão da Verdade — com limitações enormes para investigar, enquanto não revisamos a Lei da Anistia, feita debaixo de uma determinada correlação de forças da sociedade brasileira, quando a sociedade brasileira estava desmoralizada.

E os torturadores estão soltos ainda. Os torturadores estão promovidos. O caso mais emblemático é do que comandou o DOI-CODI de São Paulo, Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Dezenas de testemunhas físicasoculares, vivas, fizeram denúncias, como o caso de Luiz Eduardo Merlino, jornalista assassinado no DOI-CODI de São Paulo, e esse cidadão e o Clube Militar, que o Bolsonaro defende aqui ainda, não querem investigar crimes como esse.
Enquanto não passarmos a limpo essa história brasileira, não virarmos essa página, não fecharmos essa ferida, não haverá verdadeira investigação. É por isso que não se abrem os arquivos da Ditadura Militar. Épor isso que a Comissão da Verdade começa capenga, se ela for aprovada dessa forma. Por isso defendemos a revisão, sim.

E àqueles que fizeram da tortura uma política de Estado e àqueles que tomaram os direitos humanos como algo negativo, quero lembrar que todos os países da América Latina, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, todos fizeram revisão da Lei da Anistia.

Mas não só isso: Presidentes da Repúblicas, comandantes de Forças Armadas — Videla, Galtieri, Capitão Astiz e tantos outros — , no Chile, da ditadura Pinochet, no Uruguai, no Paraguai, foram punidos. E é isso que vai eliminar a tortura como política que se pratica até hoje nas delegacias com os presos comuns. Nós precisamos virar essa página, e, nisso, não hánenhum revanchismo. Há um avanço na democracia brasileira.

E, da tribuna da Câmara dos Deputados, me dirijo às Forças Armadas Brasileiras, a todo cabo, soldado e oficial das Forças Armadas Brasileira, a todos os oficiais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica Brasileira: vocês não têm que carregar a canga da tortura, da perseguição política daquela minoria que controlou os aparelhos de repressão e da ditadura militar, porque vocês não são uma geração que torturou. Então não têm que carregar a culpa e a canga. As Forças Armadas também querem superar, também querem avançar. Então, não é meia dúzia de militares que estão aposentados... Militares que não participaram da tortura não têm que assumir essa canga. Eles precisam se incorporar ao processo democrático.

Por isso, em favor da votação do projeto da Deputado Luiza Erundina.