JULGAMENTO DE CORONEL REACENDE DEBATE SOBRE ANISTIA.
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Brasília,
19 de julho de 2011. A audiência do Tribunal de Justiça de São
Paulo (TJ-SP) na qual devem ser ouvidas as testemunhas da tortura e morte do
jornalista Luiz Eduardo Merlino, marcada para o dia
27, reacendeu os debates sobre a anistia a agentes
do Estado brasileiro acusados de violações de direitos humanos no período da
ditadura militar. Na ação cível, movida pela família do jornalista, o coronel
reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra é
responsabilizado pela morte, ocorrida em julho de 1971 O assunto tem sido tratado com destaque por
organizações de direitos humanos e também por grupos de militares reformados
que, na internet, defendem o golpe de 1964 e as ações que desencadeou. Logo
após a audiência, no dia 30, será realizado um ato público Não é a primeira vez que o coronel do
Exército, condecorado com as medalhas do Pacificado e do Mérito Militar, é
acusado. Uma outra ação, de caráter criminal, foi
arquivada pela Justiça sob o argumento de que os agentes do Estado também
foram beneficiados pela Lei de Anistia de 1979. Essa interpretação da lei foi
ratificada em 2010 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Merlino era militante do Partido
Operário de Esquerda (POC) e, segundo o livro Direito à Memória e à Verdade,
editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, morreu
sob tortura, dois dias após sua prisão, ocorrida no dia 17 de julho de 1971.
Outros prisioneiros presenciaram a violência, nas dependências do
Destacamento de Operações e Informações e Centro de Operações de Defesa
Interna (DOI-Codi), então
sob o comando de Ustra. Na carta que vem divulgando em sua defesa,
denominada Bode Expiatório, Ustra afirma que Merlino morreu atropelado quando tentava fugir. No texto,
o coronel defende o golpe de 1964 e diz que é vítima de "graúdos
derrotados e ressentidos" que "estão no poder". Também afirma
que arriscou a vida lutando por "liberdade" e
"democracia". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. |