|
Brasília,
22 de setembro de 2010.
"Em todas as sociedades,
para que haja uma paz sustentável, tem que fazer Justiça ao que
ocorreu", disse secretário
A Organização
das Nações Unidas (ONU) alerta que o próximo governo brasileiro terá de lidar
com o passado e os crimes da ditadura se quiser
avançar em sua paz social. O recado foi da Alta Comissária de Direitos
Humanos da ONU, Navi Pillay,
que manteve hoje uma reunião, em Genebra, com o chanceler Celso Amorim. Na
agenda, um dos temas foi exatamente a manutenção da lei de anistia no Brasil.
"Em todas as sociedades, para que haja uma paz
sustentável, tem que fazer Justiça ao que ocorreu", alertou a numero 1
em direitos humanos na ONU. "Este será o desafio do próximo
governo", afirmou Pillay, que antes ocupava o
cargo de juíza de crime de guerra no Tribunal da ONU para Ruanda.
Segundo ela, quando o tema foi levantado na reunião, Amorim indicou que a
perspectiva de ver o tema avançar era sombria.
"Discutimos a questão do passado brasileiro e o ministro indicou que ele
não acreditava que havia boas perspectivas para avançar no tema (no
Brasil)", afirmou.
A ONU vem apontando para a necessidade de o Brasil não ser o único país do
Cone Sul a deixar aberto o capitulo das ditaduras dos anos 70 na região. No
ano passado, Pillay se reuniu com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e foi direto ao ponto. Pessoas que estiveram no encontro
naquele momento revelaram à reportagem que a representante da ONU foi direta
em suas críticas ao Brasil e que Lula "fechou a cara" desde o
inicio do encontro.
A meta da ONU e de impedir que novas leis de anistia façam parte de soluções
de conflitos atuais e pressiona para que leis de anistia adotadas nas ultimas décadas sejam abolidas em todo o mundo. Há poucos
meses, a entidade recomendou a Espanha que julgasse finalmente os crimes
cometidos na Guerra Civil.
Agência Estado
|