Lei da Anistia completa 32 anos sob polêmica e questionamentos
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Brasília,
29 de agosto de 2011. Norma
comemora aniversário sob risco de voltar a ser debatida no Supremo Tribunal
Federal
Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 28/08/2011 08:00 Promulgada no dia 28 de agosto de 1979 pelo
então presidente, o general João Baptista Figueiredo, a lei 6.683, mais
conhecida como Lei da Anistia, foi o primeiro marco legal da transição
democrática no Brasil. De acordo com a lei, todos os crimes políticos
decorrentes do embate entre militares e defensores da democracia pós-golpe de
1964 foram perdoados. Isso possibilitou que milhares de
perseguidos políticos exilados voltassem ao País sem medo de represálias. Por
outro lado, quebrou resistências entre os militares, que temiam uma onda de
revanchismo caso deixassem o poder.
Na época, a TV exibiu exaustivamente imagens dos exilados chegando de volta ao Brasil entre lágrimas e abraços ao som de “O bêbado e o equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco, na voz de Elis Regina. Embora o País ainda tivesse que esperar cinco anos pela posse de um presidente civil, a impressão geral era que os anos de chumbo finalmente tinham acabado. Passados 32 anos, a Lei da Anistia virou
alvo de questionamentos. Para o Ministério Público Federal, a Corte
Interamericana de Direitos Humanos (vinculada à Organização dos Estados
Americanos), Ordem dos Advogados do Brasil e entidades de defesa dos direitos
humanos como a Anistia Internacional, a lei perpetua a impunidade a
torturadores e assassinos ligados à ditadura. O Supremo Tribunal Federal, provocado pela
OAB, decidiu que a lei é válida e descartou a possibilidade de punição
criminal aos torturadores. Poucos meses depois, no entanto, a corte da OEA
condenou o Brasil por não punir os responsáveis pelas mortes de 62
guerrilheiros do PC do B executados pelas forças do governo na região do
Araguaia. O Brasil é signatário de tratados que
reconhecem a corte da OEA e está sujeito a sanções morais caso não cumpra as
decisões do tribunal. O Brasil já foi condenado outras três vezes pela corte,
mas esta é a primeira em que a sentença é derivada de ações do Judiciário e
não do Executivo, o que dificulta um acordo. “Existe a esperança de que o Supremo
reavalie o caso. Se a decisão da corte não for respeitada o Estado brasileiro
passará a mensagem de que está quebrando compromissos e se desvinculando do
sistema. Isso é muito ruim para a imagem do País”, disse a procuradora
da República Eugênia Fávaro, que ao lado do também
procurador Marlon Weichert é autora das primeiras
ações judiciais que pedem a punição dos torturadores à luz das novas normas
do direito internacional. Eles argumentam que a tortura é um crime
contra a humanidade e, portanto, imprescritível. Consideram ainda
inadmissível que o governo da época tenha concedido imunidade a seus próprios
agentes e contestarem a própria letra da lei. “Em nenhum lugar está
escrito que os torturadores são inimputáveis. Isso é uma interpretação
política da época que persiste equivocadamente até hoje”, disse.
Em nenhum lugar está
escrito que os torturadores são inimputáveis. Isso é uma interpretação
política da época que persiste equivocadamente até hoje. “Existem uma orientação na
Procuradoria-Geral da República para que busquemos ações no âmbito cível”,
disse ela. Nesse caso, os responsáveis pelas atrocidades da ditadura estariam
sujeitos a penas como pagamento de indenizações, perda do direito de prestar
serviços aos estado e reconhecimento público de seus
atos. Apesar disso, a decisão da corte da OEA deu
novo fôlego para as ações criminais. Procuradores de todo o País têm movido
ações contra os torturadores baseadas na decisão do tribunal internacional.
“Uma hora isso vai bater no Supremo outra vez”, disse o
procurador Marlon Weichert. Na semana passada, a Anistia Internacional
pediu que a presidenta Dilma
Rousseff simplesmente revogue a Lei da Anistia.
Segundo fontes do governo, a possibilidade de que Dilma atenda
o pedido é nula. . |